A Banheira

Elisa chegou em casa cansada do trabalho. Abriu a geladeira, pegou um congelado qualquer e colocou no microondas. Estava cansada demais para preparar uma refeição decente. Até porque era mais uma noite solitária, não ia haver convidados para o jantar. Que diferença faria?

O dia tinha sido muito cansativo e Elisa resolveu tomar um banho longo e demorado na sua banheira. Pegou um vinho, colocou uma música suave e largou seu corpo exausto na água quente. O corpo foi cedento aos estímulos relaxantes e ela começou a repassar o seu dia em sua cabeça. O engarrafamento longo e demorado até chegar no trabalho, o trabalho monótono e cansativo, atrasado por horas de falta de concentração. O almoço sozinha, como não poderia deixar de ser. Os longos minutos até a hora de sair. O telefone que não tocava nunca, por mais que ela esperasse um telefonema qualquer. O novo engarrafamento voltando pra casa.

Seus dias eram cada vez mais vazios e depressivos. Elisa estava no piloto automático há algum tempo. A vida havia se tornado um fardo muito maior do que ela podia suportar. Nada mais fazia o menor sentido... Ela havia se afastado dos amigos, havia deixado de gostar de seu trabalho que era a coisa mais importante de sua vida, havia desistido de viver... Ela não sentia mais prazer, mais vontade de viver... Diferentemente de sua amiga Letícia que havia se matado há alguns dias apenas, ela não tinha coragem de fazer o mesmo.

Então tocou o telefone... Era ele. Sim, Elisa, assim como sua amiga Letícia, havia passado por uma grande desilusão amorosa. Por várias vezes ela pensou em se matar... A dor era maior do que sua capacidade de tolerância.... Mas valeu a pena sofrer tudo aquilo por aquele momento ao telefone. Ele queria saber como ela estava, queria dizer que estava preocupado, que sentia sua falta. Disse que precisava dela de volta e ela aceitou, sem pensar duas vezes... Na mesma hora ele pegou o carro e foi até ela. Os dois se abraçaram, se beijaram e fizeram amor louca e carinhosamente. Deitaram juntos e dormiram abraçados, perdidos um no colo do outro.

O sol incomodava um pouco os olhos de Elisa, que ainda dormia. A claridade tomava conta do banheiro... A água da banheira estava fria... O copo de vinho vazio estava caído perto dos sais de banho... O relógio despertou. Elisa tomou uma chuveirada rápida para acordar, colocou sua roupa, pegou sua pasta e foi trabalhar.

1 comments:

Giovani Almeida 11 de julho de 2008 às 18:51  

Estou vendo que vamos acabar sendo fãs um do outro!
Adorei o texto, escreva mais, por favor!

Bem vindos ao meu cantinho...
Aqui, um pouco de mim!
Sejam bem vindos e não esqueçam de comentar!!

"Às vezes se eu me distraio, se eu não me vigio um instante, me transporto pra perto de você... Já vi que não posso ficar tão solta: me vem logo aquele cheiro que passa de você pra mim num fluxo perfeito.... Enquanto você conversa e me beija, ao mesmo tempo, eu vejo as suas cores no seu olho tão de perto... Me balanço devagar, como quando você me embala... O ritmo rola fácil, parece que foi ensaiado...

Adoro essa sua cara de sono e o timbre da sua voz que fica me dizendo coisas tão malucas... E que quase me mata de rir quando tenta me convencer que eu só fiquei aqui porque nós dois somos iguais. Até parece que você já tinha o meu manual de instruções porque você decifra os meus sonhos, porque você sabe o que eu gosto e porque quando você me abraça o mundo gira devagar. E o tempo é só meu e ninguém registra a cena, de repente vira um filme todo em câmera lenta...

E eu acho que eu gosto mesmo de você, bem do jeito que você é...

Eu vou equalizar você numa freqüência que só a gente sabe... Eu te transformei nessa canção pra poder te gravar em mim...